Criação

Muitos aquaristas levam a criação de lebiste a um nível tão sério e em tão grande escala que fazem do hobby sua fonte de rendas.E não é para menos: esses peixes são bastante ativos, desenvolvem-se bem em aquários pequenos, estão sujeitos a poucas doenças e, principalmente, reproduzem-se com enorme facilidade. A espécie é muito fértil e os cruzamentos são constantes. Como se não bastasse, o lebiste é um dos peixes de aquário mais populares e um dos mais procurados pelos aquaristas.

Os lebistes são verdadeiros devoradores de larvas de insetos e em alguns países da Ásia são usados para controlar a proliferação de mosquitos transmissores da málaria e outras doenças.

A facilidade com que se reproduzem, o que acabou por estimular não só os aquaristas mas também os geneticistas a fazer cruzamento com exemplares de diferentes linhagens,obtendo-se assim novas variações na coloração,no formato e tamanho das nadadeiras (inteiramente diferentes da forma selvagem) resultando em peixes com cauda de grande tamanho (maior que o corpo) e ainda diversas variedades,como espada,o pavão,o cauda-de-leque,o tesoura e o cauda-de-alfinete.

De diferentes formas e tamanhos, tanto no corpo como nas nadadeiras dorsal e anal, os machos podem apresentar todas as cores do arco-íris. Porém, uma característica é sempre constante entre os selvagens: por mais que você tente,nunca encontrará dois exemplares idênticos. Semelhantes talvez, iguais nunca. Já as fêmeas são mais uniformes e modestas. Sua coloração raramente se distancia do tom verde-oliva, com as nadadeiras ligeiramente amareladas. Nos machos e fêmeas, a borda das escamas tem um tom mais escuro que o restante do corpo e no conjunto dão a impressão de uma rede.

Daí a origem de seu nome cientifico, Poecilia reticulata (reticulata=rede). A criação e procriação desta espécie da família Poeciliidae,é levada com tanto afinco pelos aficionados da espécie que nos EUA e Europa são realizadas exposições,onde são definidos padrões oficiais para caracterizar cada variedade.O sucesso da reprodução dos lebistes está em se fazer cruzamentos selecionados,obtendo-se deste modo uma enorme variedade de caudas e cores.

Porém, para que isso seja alcançado, será necessário um certo critério na seleção dos espécimes para os cruzamentos, a fim de se produzir linhagens cada vez mais exóticas e puras. Essa perfeita seleção é, portanto, a fórmula básica para se conseguir lindos peixinhos. Aquaristas mais experientes dedicam-se a procriação dos lebistes para tentar criar sua própria variedade. Para a reprodução, nunca adquira apenas um casal,o que tornaria mais restritas as chances de sucesso.Num aquário de aproximadamente 40 litros poderão ser colocados de 5 a 7 casais para a reprodução.

Para aqueles que pretendem obter variedades puras e raras, vale aqui salientar um ponto muito importante: para se conseguir uma boa ninhada e alcançar a "raça pura" (o que valoriza ainda mais a espécie) os cruzamentos devem ser feitos com machos e femêas da mesma linhagem.Quando o casal é de linhagem diferente, a perpetuaçäo da raça pura é impedida.

Reprodução : Quando os casais são colocados no aquário,você vai perceber o macho nadando ao lado da sua companheira,num característico ritual amoroso.Ele vibra as nadadeiras dorsal e caudal,fazendo uma manobra em "S"e introduz o gonopólio (nadadeira anal modificada e com função de órgão sexual) no oviduto da fêmea (poro genital),fertilizando-a.

O período de gestação dos filhotes varia de 22 a 25 dias.Próximo ao nascimento, o abdômem da fêmea se apresenta bem inchado e surge perto da nadadeira anal uma mancha escura,chamada"mancha de gravidez"e que vai aumentando quanto mais cheia de elevinos estiver.Assim que todos forem expelidos,os adultos serão retirados do aquário para não comerem os filhotes.Se preferir, use uma criadeira no ambiente.

Conforme nascem, os elevinos sobem a superfície e dão uma "golada de ar",para expandir suas bexigas natatórias.Como os lebistes amadurecem sexualmente muito cedo (com 2 meses já são capazes de se reproduzir),convém você separar os sexos logo nas primeiras semanas para evitar cruzamento imprevistos ou indesejáveis.

Alimentação: Nada mais fácil também do que alimentar esses inveterados reprodutores.Eles toleram a mais irregular dieta e aceitam qualquer tipo de alimento,mas não deixe que isso aconteça.Ofereça as refeições 2 ou 3 vezes ao dia, usando artemia, tubifex , larva e dáfnas. Cuide para que não faltem algumas verdurinhas picadas, indispensáveis na dieta.Para os filhotes,dê apenas infusórios nos primeiros dias e depois a dieta é normal.